Crítica & Obra

Na obra de Marina Caram vemos a figuração de características expressionistas dentro de uma temática eminentemente social e política, apresentando em seus trabalhos personagens anônimos das grandes cidades e das manifestações culturais brasileiras, como em Prostituta (1952), Enterro no Morro (1963) e Favelado Rei do Carnaval (1974). O acervo da Casa Marina Caram apresenta essas séries e inéditos dessas figuras que aparecem numa configuração dramática, acentuada pela atmosfera sombria e pelas pinceladas vigorosas que, em geral, predominam em sua obra. A artista também aborda o sincretismo religioso da Bahia, compondo pinturas da série Orixás, como Omulú (1954), Oxóssi (1959) e Xangô (1960); nesse mesmo período, realiza a série de xilogravuras Barroca, com séries inéditas na coleção da CMC. Durante os anos 1960, outros temas sociais e sua relação com o espaço social, como em Selos e Carimbos (1967), e entre o homem e a máquina, em Artesanato Mutilado pela Máquina (1969). Entre as décadas de 1970 e 1980, Marina Caram produz uma série de pinturas cujos temas são o carnaval e o circo, abordando a tristeza do povo. Nessas obras, misturam-se alegria e desespero, como em Fim de Carnaval (1975) e Palhaço Enamorado (1983), também da coleção.